
O governo argentino decidiu aumentar as medidas de proteção contra mercadorias do Brasil, principalmente por causa da pressão pela situação econômica do país. O preço do ventilador, por exemplo, praticamente dobrou, a oferta diminuiu e já começam a faltar eletrodomésticos no mercado argentino. Esse problema ainda é reflexo da demora para que seja expedidas as licenças não automáticas, impostas pelo governo a produtos importados. A espera pode ultrapassar até 60 dias.
Não bastasse os problemas que já existem, uma medida que deve entrar em vigor em fevereiro deverá aumentar a lista de transtornos. A partir da medida anunciada nesta semana, o empresário deverá preparar uma lista de todos os produtos que pretende importar. Para conseguir efetuar a compra, o empresário dependerá do governo e, ao que tudo indica, a resposta deve demorar.
A base da indústria argentina depende da importação, pois quase 70% do processo de produção industrial vêm de fora do país. O setor que mais depende das importações é o de produção automotiva. Para esse ramo, o Brasil é o principal exportador, com 24,3% de exportação de autopeças e 22,5% de veículos.
O Ministério da Indústria e Comércio, em Brasília, declarou que está preocupado com a relação entre os países e entrou em contato com as autoridades vizinhas para estudar possíveis impactos para exportadores brasileiros. O governo federal manifestou preocupação e descontentamento com o anúncio do governo argentino, avaliando que as novas regras ainda não foram explicadas de maneira clara e que ainda existem dúvidas sobre a forma com as restrições serão aplicadas.
Já a Confederação Nacional da Indústria criticou as medidas argentinas e confirmou que haverá queda nas exportações para a Argentina. A CNI também classificou a medida do país vizinho como um retrocesso no comércio entre os países do Mercosul e disse que espera uma solução para a questão.
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